
EMERGÊNCIAS
EVENTOS SÍSMICOS – Informação útil
Porquê?
De entre os riscos naturais, o risco sísmico é o que continua a causar maior disrupção e impacto, resultando em avultados custos pessoais e materiais. Cada cidadão deve conhecer as medidas de prevenção e normas de autoproteção aconselhadas para cada situação de risco.
Quanto maior for o investimento na prevenção, melhor preparados estaremos todos para lidar com as suas consequências e mais atenuados ou menos graves serão os seus efeitos.
O que é?
Um sismo é um fenómeno natural resultante de uma rotura, mais ou menos violenta, no interior da crosta terrestre, correspondendo à libertação de uma grande quantidade de energia, e que provoca vibrações que se transmitem a uma vasta área circundante. Quando a deformação desses materiais excede a força de coesão, eles partem-se através de pontos de fraqueza.
Os terramotos acontecem todos os dias, mas a maioria é tão pequena que os humanos não os conseguem sentir.
Estamos em risco?
Portugal situa-se na placa Euro-Asiática, limitada a sul pela falha Açores-Gibraltar que corresponde à fronteira entre as placas euro-asiática e africana, e a oeste pela falha dorsal do oceano Atlântico.
O território português constitui uma zona de sismicidade relevante.
Quanto tempo dura um sismo?
A duração de um sismo varia entre poucos segundos e dezenas de segundos, raramente ultrapassando um minuto. Após o sismo principal, geralmente seguem-se reajustamentos do material rochoso que dão origem a sismos mais fracos, denominados réplicas.
É possível prever um sismo?
Embora haja investigação nesse sentido, não é possível prever sismos mas, sim, ganhar algum tempo antecipando a atuação ao serem ativados sensores.
Como identificar um sismo?
O primeiro indício de um sismo de grandes proporções poderá ser:
Um ruído tipo rugido prolongado, que poderá ser bastante alto;
Um tremor ligeiro percetível pela oscilação de objetos;
Um «bang» violento, semelhante à passagem de um avião supersónico;
Um ou dois segundos depois, sentirá o verdadeiro sismo. É importante agir imediatamente.
Não espere até ter a certeza de que está realmente a ocorrer um sismo. À medida que a vibração do solo aumenta o perigo também aumenta (armários, prateleiras e equipamentos podem cair; objetos suspensos do teto oscilarão e poderão soltar-se; tetos falsos e componentes poderão cair; caixilhos poderão arquear, abrir ou fechar violentamente, encurvar, partir vidros e projetar estilhaços).
O que fazer ANTES?
A atuação deve dividir-se no que fazer antes, durante e depois de um sismo.
Antes – Identificar locais seguros:
Cantos de paredes-mestras;
Junto a mobília e objetos de grande volume e robustos (se fixos);
Vãos de portas interiores;
Debaixo de mesas resistentes.
Antes – Identificar locais perigosos:
Perto de janelas, espelhos, candeeiros;
Perto de mobília e objetos de grande volume e robustos (se soltos);
O centro de salas;
Varandas;
Elevadores;
Aquecedores.
Antes – Conhecer percursos de evacuação (locais de trabalho).
Antes – Criar um plano de atuação familiar com identificação de local seguro/ponto de encontro e ter um kit de emergência.
O que pode conter um kit de emergência?
O kit de emergência pode conter diversos elementos. Quanto mais elementos, mais soluções tem disponíveis para os diversos cenários.
Rádio (a pilhas – com pilhas de reserva)
Lanterna (a pilhas ou dínamo com pilhas de reserva)
Pilhas de reserva
Apito (não gaste energia a gritar)
Extintor (e saiba utilizá-lo)
Manta isotérmica ou agasalhos (se frio e resgate demorado)
Calçado extra ou meias (para caminhar sobre destroços / vidros partidos)
Material de primeiros socorros e analgésicos (feridos sem socorro imediato)
Alimentos não perecíveis para 2/3 dias (barras, chocolates, conservas, bolachas, compotas, etc.)
Água (para 2/3 dias ou mais, se possível)
Powerbank
Canivete
Luvas (se tiver de gatinhar e houver vidros partidos)
Máscara e óculos (visibilidade e respirabilidade de pó no ar)
Cópias de documentos relevantes
Ferramentas / corda
Produtos de higiene básicos
O que fazer DURANTE?
Se tiver tempo deve ir para um local seguro;
«Baixar, Proteger, Aguardar»;
Não correr para saídas;
Não utilizar elevadores;
Esperar até o abalo terminar.
Nota: Quanto mais curta for a distância a percorrer para se pôr em segurança, menor será a probabilidade de sofrer ferimentos. As estatísticas de ferimentos mostram que as pessoas que se deslocam durante o abalo sísmico têm maior probabilidade de se ferir.
Se estiver na rua: Ir para um lugar seguro (local aberto como o meio da rua, afastado de prédios altos, montras, árvores, postes de eletricidade, candeeiros, muros, gruas, placards publicitários). «Baixar, Proteger, Aguardar»
Se estiver a conduzir: Parar o carro em local aberto, ficar dentro do carro, manter o cinto de segurança apertado; ligar as luzes e permanecer dentro do veículo.
Não fuja de carro (pode ficar preso ou obstruir o acesso e circulação dos meios de salvamento).
Se estiver num parque de estacionamento coberto: Neste caso, é mais seguro ficar deitado enrolado junto ao automóvel. O carro não será totalmente comprimido e permitirá a existência de um espaço de proteção mesmo ao seu lado.
Se estiver deitado: Deixar-se ficar imóvel e cobrir a cabeça com uma almofada, a não ser que haja algo perigoso diretamente sobre si.
Se utilizar cadeira de rodas ou andarilho: Bloquear as rodas (travão) e proteger a cabeça.
O que fazer DEPOIS?
Mantenha a calma, esteja atento.
As réplicas podem ser tão intensas como o primeiro sismo e podem causar mais danos a edifícios enfraquecidos. Alguns sismos são, na realidade, abalos prévios, podendo ocorrer um sismo de maiores dimensões.
Desligue água, gás e eletricidade (se não o fez antes);
Use lanterna (não acenda fósforos/isqueiros ou ligue/desligue interruptores);
Se descer escadas, faça-o junto à parede e, se houver fumo, ande de gatas junto ao pavimento;
Fique afastado de fios elétricos soltos e vidros partidos e atento à queda de objetos (proteger cabeça e cara com um casaco ou peça de roupa);
Se possível saia de calças, manga comprida e calçado (destroços);
Se houver feridos e tiver capacidade, ajude-os prestando primeiros socorros;
Se houver feridos graves não os remova/movimente a não ser que corram perigo;
Se tiver animais, solte-os (domicílio);
Comunique com o exterior;
Chame equipas de salvamento;
Se houver um incêndio e tiver capacidade, tente extinguir com os meios que tenha ao seu alcance;
Vá ou fique num local seguro;
Esteja atento às informações e recomendações de fontes oficiais (PROCIV; IPMA, etc.) e alertas institucionais;
Não divulgue boatos ou notícias não confirmadas;
Dada a limitação de rede posteriormente a catástrofes, envie se possível o mesmo SMS a vários membros da família/amigos com indicação de local e estado, e peça que façam o mesmo;
Não utilize um carro num cenário de evacuação, pois pode impedir a passagem de veículos de emergência.
O que fazer se ficar preso?
Caso a quantidade de fumo ou a destruição torne os caminhos impraticáveis, devemos abrigar-nos e manifestar a nossa presença junto às janelas ou onde estivermos.
Se estiver preso dentro de uma sala ou incapaz de se mover, não grite por ajuda, pois isto pode esgotá-lo e pôr em perigo a sua vida. Em vez disso, use um apito (ver Kit) e use o apito com pausas igualmente repetidas (padrão).
Em alternativa, faça barulho com objetos, por exemplo, usando algo sólido para bater na porta ou nas paredes, de forma a alertar as outras pessoas ou equipas de socorros da sua localização.
Envolva os mais pequenos!
Apesar de existirem diretrizes para as escolas no sentido de promover informação sobre o tema da(s) emergência(s), nunca é demais reforçar a preparação e envolvê-los no plano familiar de emergência.
Aqui ficam algumas sugestões de jogos:
Como garantir que as crianças estão bem se acontecer um sismo durante o horário escolar?
Como referimos, cada cidadão, e aqui também as crianças, deverá conhecer as medidas de prevenção e normas de autoproteção e atuação aconselhadas para cada situação. Aqui a Escola tem um papel fundamental ao promover momentos informativos, de esclarecimento e de treino.
A Escola promove regularmente exercícios ou simulacros de emergência. Desta forma aprendem o que fazer (e o que não fazer) em caso de emergência (como um sismo).
Na Escola EB1+JI Rainha Santa Isabel o ponto de encontro é a área aberta do parque de estacionamento.
Sabemos que é difícil de conceber, mas, caso ocorra um sismo de magnitude ou intensidade relevante, não devemos ir a correr para a Escola até ter a certeza de que se pode circular (relembramos que não deve conduzir). Por outro lado, nem todos estamos perto da Escola, pelo que devemos usar os canais de comunicação existentes para tentar obter informação ou aguardar uma comunicação da Escola.
Outra coisa que podemos fazer é garantir que estes simulacros são, de facto, realizados e que as crianças dispõem de informação adequada.
Depois de tudo, é falar com elas sobre o que aconteceu, fazê-las sentir-se seguras e... dar extra mimo!
Mais informação útil aqui:
Fontes:
https://www.ipma.pt/pt/geofisica/sismologia/index.jsp
https://www-ext.lnec.pt/LNEC/DE/NESDE/divulgacao/o_que_sao_sismos.html
https://www.seismolab.caltech.edu
https://www.aterratreme.pt/wp-content/uploads/2019/01/Brochura_sismos.pdf
https://prociv.gov.pt/pt/prevencao-e-preparacao/avaliacao-de-riscos/riscos-naturais/
https://scienceexchange.caltech.edu/topics/earthquakes/earthquakes-measured
https://www.savethechildren.org/us/charity-stories/earthquake-tips
https://www.savethechildren.net/blog/nine-tips-earthquake-safety
https://www.aterratreme.pt/infantil/
https://www.treme-treme.pt/Recursos-Pedagógicos/
Guia de sobrevivência a um sismo para Lisboetas - A Mensagem